Prefácio

Meu Amigo,

Quando me convidaste para fazer o prefácio do teu livro, fui confrontada com um misto de sentimentos. Primeiro pelo sentido de responsabilidade que esta tarefa me confere e segundo pela alegria de escrever estas linhas sobre a tua obra.

A primeira dúvida: Como vou escrever um prefácio? Eu que nunca escrevi nada. Depois de reflectir sobre o assunto não foi assim tão difícil como pensava. O difícil foi exprimir em palavras o que senti ao ler as tuas frases.

Comecei por fazer uma pesquisa. A maior parte dos prefácios falam do autor e da história que o livro vai contar, e eu para começar vou falar de ti.

Já nem me lembro quando os nossos caminhos se cruzaram. Já lá vão uns aninhos. Tu tens o dom de cultivar amizades, umas boas, outras nem por isso (a vida ensinou-te que não podemos confiar demasiado), e só te sentes feliz quando todos á tua volta também estão. Homem com H grande, de bom coração, por vezes um pouco sonhador, mas de bom coração. Mas não é a história da nossa amizade que mais interessa agora, mas sim as tuas palavras que acabei de ler. Mais do que lê-lo, senti-o e tenho a certeza que quem o ler terá a mesma sensação que eu. Li-as com muita atenção, carinho e … adorei! Sempre achei que tinhas uma veia de escritor e não me enganei.

Amor: sentimento que induz aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atracção; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa. Esta é a definição que vem no dicionário mas, na vida real não é bem assim que acontece. Por vezes o amor não é correspondido ou simplesmente…. acaba. Neste caso é o amor da mulher que chega ao fim, ou talvez……o amor que fica adiado.. Este é um diário sobre um amor eterno, um amor que deixou marcas, tal como a marca da tatuagem deixada na tua pele. Um Amor que ao terminar semeia o receio de caminhar sozinho.

Sou tua amiga e, por isso, suspeita. Não tenho dúvida que escreverás outras coisas, talvez com outro conjunto de palavras, mas arrisco dizer que não escreverás palavras que te digam tanto.

Porque, amigo, as coisas mais importantes da vida não são apenas as que ficam no coração, mas também as que vêm do coração.

28º aniversário

Completavas o teu 28 aniversário, estávamos afastados á algum tempo, mas recebi o teu convite para um pequeno jantar de amigos no Bairro Alto. Confesso que estava nervoso, tenso, pois não sabia como te iria encontrar, sabia que os sentimentos, os meus estavam cá, os teus perguntava-me se sim!
O jantar correu normalmente, e a tensão entre nós começou a crescer, era-me claro agora que apesar do afastamento, tudo se mantinha igual, vagueamos pelas ruas do Bairro, num grupo super animado, sentia te leve e num momento de felicidade! Fomos ao F., e lembro-me de ter sentido medo que acabasses envolvida com algum dos homens que te segredavam coisas ao ouvido, foi primeira vez que jogamos esse jogo do "dou bola mas é contigo", jogamo-lo tantas vezes depois dessa noite. Assisti-a ao teu deambular dengoso pela sala, linda, bem bebida e deslumbrante! Lembro-me que gostavas que toma-se conta de ti quando estavas assim, tocada pelo alcool, quando soltas a Lady C. que vive dentro de ti, mas que só por vezes é liberta, nem sempre sob o efeito desses liquidos, que nos ajudam a libertar. E sim eu gostava de tomar conta de ti nessas alturas, inclusivé pegar-te pela mão. Finalmente paras-te em mim, e gestualmente com a linguagem da tua face, disseste, quero ser tua, continuo a ser tua! Pedi que o verbalizasses e quase automaticamente, disseste “tenho saudades tuas". Beijamo-nos e seguimos nos beijando, tentando ridiculamente esconder dos outros o que fazíamos. É claro que um pequeno pilar cor de rosa não foi suficiente!
Um dos que te segredou ao ouvido, no fim da noite perguntou-te, "É o teu namorado?".....
Se não era, naquela noite voltei a ser
Amo-te para onde o destino te levar

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