Prefácio

Meu Amigo,

Quando me convidaste para fazer o prefácio do teu livro, fui confrontada com um misto de sentimentos. Primeiro pelo sentido de responsabilidade que esta tarefa me confere e segundo pela alegria de escrever estas linhas sobre a tua obra.

A primeira dúvida: Como vou escrever um prefácio? Eu que nunca escrevi nada. Depois de reflectir sobre o assunto não foi assim tão difícil como pensava. O difícil foi exprimir em palavras o que senti ao ler as tuas frases.

Comecei por fazer uma pesquisa. A maior parte dos prefácios falam do autor e da história que o livro vai contar, e eu para começar vou falar de ti.

Já nem me lembro quando os nossos caminhos se cruzaram. Já lá vão uns aninhos. Tu tens o dom de cultivar amizades, umas boas, outras nem por isso (a vida ensinou-te que não podemos confiar demasiado), e só te sentes feliz quando todos á tua volta também estão. Homem com H grande, de bom coração, por vezes um pouco sonhador, mas de bom coração. Mas não é a história da nossa amizade que mais interessa agora, mas sim as tuas palavras que acabei de ler. Mais do que lê-lo, senti-o e tenho a certeza que quem o ler terá a mesma sensação que eu. Li-as com muita atenção, carinho e … adorei! Sempre achei que tinhas uma veia de escritor e não me enganei.

Amor: sentimento que induz aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atracção; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa. Esta é a definição que vem no dicionário mas, na vida real não é bem assim que acontece. Por vezes o amor não é correspondido ou simplesmente…. acaba. Neste caso é o amor da mulher que chega ao fim, ou talvez……o amor que fica adiado.. Este é um diário sobre um amor eterno, um amor que deixou marcas, tal como a marca da tatuagem deixada na tua pele. Um Amor que ao terminar semeia o receio de caminhar sozinho.

Sou tua amiga e, por isso, suspeita. Não tenho dúvida que escreverás outras coisas, talvez com outro conjunto de palavras, mas arrisco dizer que não escreverás palavras que te digam tanto.

Porque, amigo, as coisas mais importantes da vida não são apenas as que ficam no coração, mas também as que vêm do coração.

nunca te passou pela cabeça parar o relógio

Sexta feira á noite, e chego muito cansado ao conforto do teu lar, provavelmente por esta altura deveria dizer ao conforto do nosso lar, mas ainda não o sinto como nosso, apesar de sentir que fazes tudo para que nele me sinta bem!
Esperas por mim para jantar, na mesa da sala onde iremos jantar, voltas a pôr velas, que dá sempre um bom ambiente á refeição. Jantamos calmamente, falamos dos nossos dia a dia, escuto as tua preocupações, escuto mais do que falo, mas a isso penso que já te habituas-te.
Depois de jantar esticamo-nos pelo chão, antes fui buscar dois copos e enchi-os de moscatel, que degustamos, a meia luz. De repente pedes para dançar, queres dançar Kizomba, queres aprender Kizomba. Dançamos, ri-mos feitos duas crianças, naquele momento de felicidade. Nada lá fora parece importar, o nosso mundo naquela noite é o teu lar. Naquelas noites sinto-o como o meu lar!
È naquele momento, naqueles momentos que sabes que mais á vontade estou para partilhar o meu eu! E aproveitas!
Começa a ficar tarde, e o cansaço começa a abater-se sobre nós, mas no entanto, a vontade de trocarmos carícias, faz com que não queiramos que a noite termine, nunca te passou pela cabeça parar o relógio?
Amo-te para onde o destino te levar 

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